domingo, 20 de agosto de 2017

SUA MAJESTADE: O TEODOLITO



          Se lembro? Claro que lembro quando foi me apresentado o teodolito! Turma de formação de sargentos topógrafos, em 1979 no Curso de Topografia, na EsIE, em Realengo/RJ.

          Quem apresentou foi o então capitão Almeida, com seu jeitão apaisanado, bonachão, jeitão de carioca apesar de ser paranaense, voz empostada, como que a vender uma joia rara. Ele colocou o estojo verde esmaltado sobre a mesa, afroxou os prendedores da alça, tirou a tampa e, sacou o aparelho com cuidado.

           Nós alunos, ávidos por conhecimentos nem imaginávamos da importância do equipamento na vida profissional dos topógrafos, agrimensores e outros que atuam nesta área técnica.

          O capitão Almeida tratava com todo carinho o aparelho. Seus dedos faziam movimentos suaves, porém precisos no manuseio. Explicou o que era um teodolito, suas partes principais, seu funcionamento e sua função.

          - Este trambolho, tem dois eixos e dois limbos: o horizontal e o vertical. Tem base de fixação. Parafusos calantes, luneta, micrometros de chamadas, de fixação e de focagem. Bolha de nivelamento e visor de centragem ótica, uma modernidade para época.  A lente amplia 28 vezes. Dentro da luneta existem retículos que servem para fazer a pontaria e leitura de ângulos. Era um tradicional T1A, da marca Wild com leitura direta de 20’ e interpolação.  

          - Um teodolito mede ângulos, horizontais e verticais. A distância inclinada, pode ser obtida indiretamente pela leitura dos fios estadimétricos, médio, superior e inferior, por uma relação e proporção de triângulos.

            Falou em alidade, nadir, zênite, arrastamento, curvatura, reverberação, e outros termos novos para nós jovens e entusiasmados aprendizes. Com seu discurso o instrutor cativava. Sabia ocupar a cena. Dar a deixa. Criar suspense.

            Frases de efeito, era com o capitão Almeida, e, entre elas, eu lembro de uma que trago guardada na memória:

“- O teodolito está para o topógrafo, assim como o fuzil está para o infante!”

Porto Alegre, 06 de agosto de 2017.
Jorge Luiz Bledow  E-mail: bledow@cpovo.net


2 comentários:

  1. Gostei da crônica, Bledow. Abraço, colega cronista.

    Estou aqui a pensar que em 1979, enquanto eu, habitante da Amazônia Brasileira, concluía por correspondência o curso Supletivo de 1º Grau do Instituto Universal Brasileiro (IUB) e era dispensado do Serviço Militar (por residir em Município não tributário, fui incluído no excesso de contingente), você já cursava Topografia, na Escola do Exército, no Realengo.
    Coisas da vida, diferentes oportunidades. Eu sempre quis ser militar, mas fui incluído no excesso de contingente. Segui a vida civil e sempre fui considerado Caxias pelos mais próximos. Alguns até me chamavam de linha-dura. Bobagens, claro. Eu só quis sempre ser correto nas minhas atitudes, nada mais.

    Parabéns pela crônica!

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  2. Bledow!Conheci o Poderoso Cap Almeida. Geodésia com o TC Santos Jr. E vc escondeu onde o Nicoletti....

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